Canto Tradicional Eslavo com Greta Wardega

18 unidades em stock

Inscrições até 28 de Outubro


Data: 31 de Outubro

Horário: 16h-18h

Local: Oficina - Rua Luís Aparício nº 9, andar 4ºD, 1150-215 Lisboa

 

 

Canto Tradicional Eslavo - as canções sobre a água

Desde o início da humanidade, a água em suas diversas formas — nascentes, cachoeiras, rios, lagos — tem inspirado as pessoas a criar locais de meditação e rituais, bem como lendas e histórias sobre seres míticos. Muitas delas estavam ligadas ao poder místico das mulheres, muitas vezes impossível de ser expresso de outra forma, a não ser na forma de criaturas misteriosas que habitavam as nascentes, rios e lagos.

Por isso neste workshop vamos trabalhar com canções de Sérvia e Polónia que falam sobre a água. Vamos cantar para os rios, cascatas, fontes e chafarizes, praticar as harmonias e deixar a nossa voz fluir como as correntes no rio.

É também extremamente interessante como em cada uma dessas culturas, assim como em muitas outras, as nascentes, cachoeiras, pequenos lagos escondidos e rios muitas vezes se tornaram locais sagrados, onde cerimónias secretas eram realizadas, orações eram sussurradas e canções mágicas de amor eram cantadas quando não havia mais ninguém por perto. As pessoas adoravam a água, atribuindo-lhe poderes curativos, milagrosos e a capacidade de mudar o destino e ajudar a realizar os desejos mais secretos. As jovens rezavam para se casarem com quem amavam, as noivas recém-casadas invocavam a água para lhes dar fertilidade e bebés saudáveis, as mulheres idosas pediam para curar as suas dores. Algumas delas eram consideradas «uzdrowicielki», «curandeiras» ou mesmo «wiedźmy», «bruxas», pois eram capazes de curar os outros usando a água «encantada». As nascentes silenciosas e remotas tornavam-se templos naturais, santuários e um refúgio para aqueles que precisavam de estar sozinhos. Esses lugares ainda hoje em dia inspiram os humanos como faziam há séculos, através da sua presença misteriosa e silenciosa. A água, sempre a fluir, sempre a mudar, ainda assim sempre presente e transparente ao mesmo tempo. As plantas e os animais que vivem nos rios e lagos, o silêncio respeitoso, interrompido apenas pelo barulho da nascente e pelo zumbido das árvores, convidam-nos a meditar, a dedicar tempo para observar, sentir e nos tornarmos um com a natureza.

O canto tradicional permite nos reconectar com a nossa voz natural, aprender a ouvir os outros e sentir se parte de um grupo. Como diz a Svetlana Spajić, cantora e pesquisadora do canto tradicional da Sérvia, "uma característica importante do canto tradicional é a consciência do outro. Até não haver outra, não há eu, não há a minha voz. A voz dupla aqui é uma voz, acordo, movimento comum, aspiração comum, sem a outra eu não existo, nem o meu som pode existir." (www.vreme.com/kultura/teznja-ka-savrsenoj-harmoniji). O canto pode ser um meio de comunicação, uma forma de curar a alma, relaxar, conhecer o outro e conhecer a si próprio.

 

 

A professora

Greta Wardęga natural de Cracóvia, recolhe nas suas viagens um vasto repertório rítmico e cantado, desde a sua Polónia natal a várias regiões dos Balcãs, repertório esse maioritariamente baseado em compassos ímpares ou irregulares, característicos das regiões que percorreu. Estreia-se na música com o trio “Porembisko”, formado em Cracóvia, de polifonia dos países eslavos como Polônia, Rússia, Ucrânia, Bulgária e Sérvia. Cantou no trio “Ru-Snake” que explora cantos polifónicos de vários países. É também autora do projeto DJ “Balskandal”, um projecto baseado no Porto com o objetivo de educação musical e cultural dos Balcãs junto da comunidade local. Atua como vocalista e percussionista da banda portuense Balklavalhau e projeto lisboeta Asteria e fundou o Bombalkanica Festival, festival de música balcã na cidade do Porto.

Em Agosto 2023 participa do Balkan Music Seminar, um evento organizado na Bulgária com cursos de música e canto tradicional búlgaro. Em Abril 2024 completa um curso de canto tradicional da Sérvia com Svetlana Spajic e em Fevereiro 2025 passa uma semana em Vranje, Sérvia, a estudar percussão tradicional com Ekrem Mamutovic. Fevereiro de 2026 traz uma formação intensiva de 2 semanas com Areti Miggou em Patra, Grécia, onde a artista estuda daouli e canto tradicional de Epiro.

 

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